O caso Pedro Pascal vs Pedro Piscal

O caso Pedro Pascal vs Pedro Piscal

Quando um nome “quase igual” vira processo

Empreendedores costumam acreditar que pequenos ajustes no nome de uma marca são suficientes para evitar problemas legais. Trocar uma letra, adaptar a escrita ou criar um “trocadilho” parece, à primeira vista, uma solução segura.

O caso Pedro Pascal vs Pedro Piscal mostra exatamente o contrário.

Um nome “quase igual” foi suficiente para gerar um processo judicial, colocar um registro em risco e transformar uma estratégia de branding em um problema jurídico de alto custo.

Neste artigo, você vai entender o que aconteceu, por que a lei permite esse tipo de ação e o que esse caso ensina sobre registro de marca e análise de conflitos.

O que aconteceu no caso Pedro Pascal vs Pedro Piscal

O conflito começou quando um empreendedor chileno registrou a marca “Pedro Piscal” para comercializar pisco, bebida tradicional do Chile.

Pouco tempo depois, o ator Pedro Pascal, conhecido internacionalmente por produções como The Last of Us e The Mandalorian, entrou com uma ação para cancelar o registro da marca.

O argumento central foi simples e juridicamente relevante: o nome “Pedro Piscal” é foneticamente e visualmente muito semelhante ao seu nome artístico, já amplamente conhecido pelo público.

Mesmo não se tratando de uma cópia idêntica, a semelhança foi considerada suficiente para gerar confusão no mercado e possível associação indevida à imagem do ator.

“Mas não houve má intenção”. Isso importa?

Um dos pontos mais comuns nesse tipo de defesa é a alegação de boa-fé.

No caso, o empresário afirmou que o nome “Pedro Piscal” teria origem na junção de “Pedro Jiménez” (tipo de uva) com a palavra “pisco”, sem qualquer intenção de se aproveitar da fama do ator.

O problema é que, do ponto de vista jurídico, a intenção do empreendedor não é o principal critério de análise.

O que a lei observa é o impacto que aquela marca pode gerar no mercado e no consumidor.

Ou seja: se existe risco de confusão, associação indevida ou aproveitamento indireto de reputação, o conflito existe, independentemente da intenção.

O que a lei realmente protege no registro de marca

Muita gente acredita que o registro protege apenas contra cópias idênticas. Isso é um erro.

A legislação de marcas protege também contra sinais que sejam:

  • foneticamente semelhantes
  • visualmente parecidos
  • semanticamente associados
  • capazes de causar confusão no consumidor
  • potencialmente ligados à fama de terceiros

No caso de nomes famosos, a proteção costuma ser ainda mais rigorosa, justamente para evitar que marcas se beneficiem, mesmo indiretamente, da notoriedade alheia.

Por isso, mudar uma letra, inverter sílabas ou “adaptar a escrita” não garante aprovação nem segurança jurídica.

Por que esse caso é um alerta para qualquer empreendedor

O erro mais perigoso não é escolher um nome ruim.

É registrar um nome sem análise prévia de conflito.

O que aconteceu com o “Pedro Piscal” pode acontecer com qualquer negócio que utilize um nome parecido com:

  • marcas já consolidadas
  • concorrentes conhecidos
  • nomes artísticos ou pessoais famosos
  • expressões amplamente reconhecidas no mercado

As consequências vão muito além de perder o registro.

Em casos assim, o empreendedor pode:

  • ter o registro cancelado mesmo após aprovado
  • ser obrigado a mudar nome, identidade visual e comunicação
  • perder investimentos feitos em marca e posicionamento
  • enfrentar processos longos e caros
  • sofrer danos à reputação do negócio

Registro de marca não é só protocolo. É estratégia jurídica

Um dos maiores equívocos no registro de marca é tratar o processo como algo automático.

O INPI não analisa apenas se a marca “já existe igual”.

Ele avalia um conjunto técnico de fatores, como:

  • semelhança sonora e visual
  • classe correta de atuação
  • risco de confusão no mercado
  • coexistência com marcas anteriores
  • impacto para o consumidor final

Quando essa análise não é feita antes do pedido, o registro vira uma aposta.

E como mostra o caso Pedro Pascal vs Pedro Piscal, apostar em marca pode sair caro.

Como evitar esse tipo de problema antes de registrar

A única forma segura de evitar conflitos é realizar uma análise técnica de viabilidade, antes de qualquer protocolo no INPI.

Essa análise identifica:

  • marcas semelhantes já registradas ou em processo
  • riscos jurídicos ocultos
  • possibilidade de oposição futura
  • necessidade de ajustes estratégicos no nome
  • chances reais de deferimento

Registrar sem essa etapa é confiar no acaso.

O que esse caso ensina, na prática

O conflito entre Pedro Pascal e Pedro Piscal deixa uma lição clara: Registro de marca não é sobre criatividade. É sobre segurança jurídica.

Se um nome “quase igual” foi suficiente para gerar um processo envolvendo uma figura pública, imagine o risco para marcas comuns que não fazem nenhuma análise prévia.

Proteja sua marca antes que o problema exista

Antes de investir em identidade visual, divulgação ou expansão, é essencial saber se sua marca pode e deve ser registrada.

A Regicenter realiza uma análise completa de viabilidade, identificando riscos reais e orientando o melhor caminho para proteger juridicamente o seu negócio.

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